
Segue correndo, moleque
Corre ligeiro, te apresse
Que a vida se pega na unha, moleque
Que a vida não exige breque
De menino assim, feito tu
De alma simples, pés nus
E corpo magrinho
Maciço.
Então, sebo nos cambitos
Voa, isso!
Que asfalto queima, areia ferve
Mas teu pé tem junta de liga leve
e quase não toca o chão inerte:
plana baixinho sem topar espinho
pedra pontuda, caco de vidro
desilusão e tristeza.
Ê, moleque, que proeza!
que beleza esse teu pé de foguete
de asa de beija-flor, pé-de-vento
mudando paisagem em dois tempos:
Bagunçando com gosto as beirinhas da praia
Ventania da boa pra levantar saia
E poeira embaçando a visão da menina
Que nem chega a ver quem some na esquina
E nem atina
Que tinha asas nos pés que passaram zunindo
E que dentro do moleque todo dia é domingo
Cheio de importâncias por fazer:
Comer a vida no miolo da goiaba catada
Empinar vida de papel-seda
O mais alto que dê.
Noite alta já, moleque se deita
Guarda as asinhas de pé
numa garrafa com rolha
e sorri porque vai ter amanhã
(arvorinha cheia de escolhas)
e o cheiro conhecido
de domingo novo
verde em folha.
15 comentários:
Wonderful!! Dicção perfeita! rs...
Bjo, querida... e continue inspirada, composta!
eu cato mesmo viu catar-se?
acho tudo uma merda
(hiahidhiaehiah)
vixe, que lindo!
me lembrou "o erê" e o Erê, (o próprio)tbm!
e "o poeta aprendiz" musiquinha que eu gostava demais qdo era pequena =)~
claro que tuas mãos dão toda outra forma, outra beleza. tua e linda. ^^
xêro
=*
"Cheio de importâncias por fazer...". É exatamente assim que me sinto. Será que sou um moleque? Eba!
ai que saudades daqui.
Milena, desculpe-me, mas...está espetacular! Belíssima poesia!
Maravilhoso, querida! :)
É, você tem razão: a gente aprende ralando o joelho. Às vezes, à beça...rsrsrs
Toda vez que aparece por lá, eu sorrio. Gosto de você e da sua linda poesia.
Beijos
Quisera eu ter pés tão leves, capazes que ignorar tristezas e desilusões...
Parabéns, mais uma vez!
Pois pare de enrolar esse livro que, a cada poesia nova, eu fico mais ansiosa!
Deixe de ser malvada, que ansiedade mata (de coração, asfixia). Vai que me encontram dura, morrida e descascada, com o pé pra cima?
Alguém falou lá em cima ter lembrado do êre... Eu fui lendo e a melodia do 14 Bis foi chegando de mansinho (Bola de meia bola de gude)
"Há um menino, há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão"
A cada poesia tua, o prazer de ler se renova.
E moleque dentro de nós assim: ânsia de liberdade. e ela vem, porque o menino é natural - Meio você. Naturalmente bonita. que escreve e nos descreve. lemos e nos enxergamos em suas palavras.
continue que eu agredeço.
abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
bonito demais, Milena. Como sempre.
Quando seu futuro livro estiver na 40ª edição, eu vou poder dizer: tenho a 1ª edição autografada!!!
hhahauahauahauhauaahauh
beijos!
É a liberdade do moleque pé-de-vento... Cabeça nas nuvens como as pipas que estão perto dela! É a menina Milena trazendo a sensiblidade dos poemas para os nossos dias! Alado, desajeitado e lá vai o menino travesso com os pés rasteiros e o olhar trigueiro... Sem compromisso ou desperdício com os pés no mar - que na foto - imagino ser o mês de janeiro!
Queria ter o que dizer.
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