terça-feira, 11 de agosto de 2009

Felina


Nasci em agosto
E vim leonina nos cabelos revoltos
Nas rimas que me arrematam
Uma no meio, outra no fim.
Posso dizer que nasci assim:
Unhas que crescem muito depressa
Olhos que enxergam de longe por mim
E cheguei na remessa
De sonhos tenros de um rapaz e uma moça
Casa, varanda, filhos, roupas
Quaradas e estendidas no varal.
Nasci com uma pinta na coxa
Cresci com poucas palavras na boca
Etecétera
E tal.

Nasci em agosto
Com as sete vidas que me cabem
E aceito o fardo de bom grado.
Porque nasci em agosto
Mas se precisar nascer de novo
Eu nasço.

12 comentários:

Anônimo disse...

e nasce Matilda :)

Tamiris

Ludmila Clio disse...

Ma vááááá...
e ainda dizem que agosto é o mês do desgosto... que mau gosto!!!
Lindo o texto!! Mais uma vez... clap clap clap!!!!

Flávio Borgneth disse...

Sete vidas é muito tempo. Como eu nasci em março tenho um pouco menos, só uma, eu acho. Bem que você podia me vender uns excessos de existência. Garanto que esse tipo de coisa vale uma nota. Cabelos ondulados valem ouro em terra de chapinha. Uma pinta é importante por ser um referencial de pele, órgão pouco original, diga-se de passagem.

O ponto é que você carregue essas pintas, anos e varandas pra transformar tudo em palavra. É por isso que eu acho que nem vai ser preciso usar seus sete segredos nesse intento. Acho que em bem menos tempo você controla toda matemática e esnoba as letras. Além disso, o dia que eu aprender a escrever, eu paro.

Adorável!
Bj!

Marina disse...

Faço tanto gosto de aparecer por aqui e dizer que seus versos são lindos!

Seus versos são lindos!

Com amor,
moranga

Daniel. disse...

gostei desse mi! bem pra frente, bacana!

marco aurelio disse...

Separar a obra do autor da obra. Velho desafio de racionalistas como eu, que querem não ver quem escreveu no que escreveu, que não querem que os outros o vejam no que escreveu, como se fosse algo separado de mim, de si e de você.

Você nasceu em agosto, a gosto de Deus, da vida e da arte. Um refresco no agouro da razão. Por isso bem feliz foi o acaso da história que em sua certidão constasse Paixão.

Nasça de novo todos os dias do seu nascimento, para nosso gosto de agosto. Veja o mundo com seus olhos felinos e rasgue a vida com as unhas do seu texto preciso.

E faça uma festa com seus amigos essa semana....

Pois você merece...

Bj...gostei muito de te conhecer...

Anjo disse...

Lembrou-me do conto Tigrela (Lygia Fagundes Telles), que li recentemente.
Lindo este surgimento felino.
Abraço.

Marcelo Grillo disse...

eita agosto longo, ao gosto de quem tem paciência. é preciso sapiência pra tolerar o que vem a contragosto, o que nos entra garganta adentro, os dias lentos que causam desgosto. é preciso tenência pra permanecer no posto, atento, sem perder pose e coragem. que pressa pouca é bobagem. quanto mais a vida demorar, melhor. e quando agosto se for, será bem pior. se bem me lembro, depois virá o setembro... dezembro! sofrer com a espera é sina de leão esfomeado, que só pensa que é fera, mas já foi domesticado, que só quer passar de ano, mas que nasce em abril: ariano!

Gabriela Galvão disse...

Pois eh, carregam o fardo d 7 vidas, merecem reverência (parece q me soa melhor c 's' ou 'z' em lugar d 'c').

Mas hj vim te falar dos Tsurus!: achei o linque em q aprendi d prima, ñ tem erro: http://www.youtube.com/watch?v=lKikjNZCRbE

E sim, bem q podíamos nos abraçar. Vem a Vitória? A gente podia fazer nossas pinhole juntas!


Bisous

Abel disse...

soube do lançamento do seu livro muito tarde. soube, muito tarde, que era longe também, que pena. mas mesmo assim, acho que vc ganhou mais um leitor. o caça-palavra é sensacional.

Em tempo: parabéns pelo livro

Erinaldo disse...

Eu nasci em Agosto e se for preciso eu Nasço novamente!

=]

Anônimo disse...

Oie Mi!
Léo me mostrou seu blog...e como leonina que sou, não podia deixar de comentar esses versos lindos sobre nosso agosto!
Sou um tantinho suspeita pra dizer, mas as pessoas de agosto são especiais. Todas que conheço tem um algo mais. Parabéns!
Estou adorando seu livrinho (como você mesma diz), obrigada por tê-lo escrito. Beijos. Jorgeana.