Tinha a incerteza no meio do caminho.
No meio do caminho, a incerteza.
E, mais pro lado, a pedra.
Tinha a pedra.
Eu vi a incerteza e franzi o nariz de pena:
A incerteza era um bichinho.
E feio, como era feio, meu deus.
E roía, como roía, com uns incisivos
Que queriam crescer pra sempre
Pra além do seu tamanho
E ainda além.
Enquanto fiquei parada olhando, a incerteza roeu tudo o que podia:
Graveto, plástico, guimba, cacos
Até a pedra.
Ainda não satisfeita, ela chegou pra mim
E deu de roer meus sapatos
Roeu até sangrar um dedão.
Mandei-lhe a pedra no traseiro.
Tinha a pedra no meio do caminho.
E no meio do caminho tinha a incerteza.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas ainda frescas.
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Esse poeminha foi apresentado no Festival de Poesia Falada de Varginha, em junho de 2009, por meus amigos Luiz e Junim. É com muita alegria que divido o vídeo com vocês:
Valeu, meninos!

(tinha que ter uma foto dessa, rs)
8 comentários:
esse Luiz e esse Junim são danados de bom hein!
danadíssimos, bonita! :)
Ai q lindo, isso.
Mt rico ver diferentes entonações para um msm texto. Ainda c violino! (Rabeca? Ñ, neh? Violinos msm.?)
Am... o q me veio ficou pq ñ funcionou, ñ deu certo.
Eh vc na fotita ali? E os dois meninos do vídeo? Foto obrigatória e fofa.
(Falar nisso, conheci Amélia -linda demais-, q te conhece.)
Bisous
para de brigar comigo. deixa eu xingar, rs.
Milena, estou fazendo um trabalho de conclusão de curso sobre Drummond. Apesar de meu foco ser Crônicas, acredito que este poema daria um belo anexo.
Posso reproduzi-lo com, claro, seu crédito?
Até mais,
Tiago.
Oi, Tiago! Não sei como te responder a não ser por aqui, então, aí vai: claro que pode usar como anexo, me sentiria honrada! Aliás, adoraria ler seu trabalho de conclusão, parece muito interessante!
abraço,
Milena
own.
ando monossilábica. onomatopéica, até. você merece mais, mas ando assim... =X
um dia compenso!
Que foto é essa, heim? Oras!!
rsrsrs...
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