domingo, 15 de março de 2009

Dali aos Seis


A menina de seis anos
Estampada num quadro de Dali
Debaixo de um céu degradê
Sou eu, de fato
Erguendo a pontinha do lençol de água
Que dá de recobrir você.
Vou sondando, visão e tato
Se oculta por baixo da pele translúcida
O Aconcágua
Toda a neve da Rússia
Um álbum de retrato
Um peixe
Um cão dormindo?
Ah, deve ser um domingo
Com fedegoso plantado no meio
Amarelo-florindo
Ou pode ser o labirinto
De um minotauro faminto
Esperando,
Sorrindo.

Mas menina de seis anos
Não fica no limbo
Se cansa de mistério exacerbado
Tem outras coisas no mundo por fazer
Além de erguer o tapete assoberbado
Que dá de recobrir você.
Então, mais por fastio que por medo
Ela solta de vez aquela ponta de mar
Se apruma, sem cerimônia
E se afasta, como lhe convém
Em busca de outros brinquedos
Pois sente na carne tenra
Que ainda é dia
E ainda é cedo.

9 comentários:

Marcelo Grillo disse...

Mas, ba, guria, que nem as meninas de seis são mais bobinhas... Se multiplicamos por quatro, então... O título é fantástico!!! E o resto também... bj

"Acorda, amor, mal começaste a conhecer a vida..." (Cartola)

monica disse...

adorei :)

M.Maria M. Coutinho disse...

lindo até o fim seu blog!

Gabriela Galvão disse...

Garota esperta mesmo soh c 6 anos de praia!

; )

Ludmila Clio disse...

Eis as crianças sempre a nos ensinar... é cedo, há mais o que fazer... e nós, adultos... crentes que sabemos de alguma coisa... deixando o tempo (precioso) escorrer pelas mãos...

Vc é tremenda!! Parabéns, de novo e sempre!!!

M.Maria M. Coutinho disse...

Obrigada por ir me ver!
Toda visita é bem vinda,
vinda de ti...uma honra!
Sempre estarei aqui, lendo-te.
Abraços e sucesso!
Marilia

Caetano disse...

tem que brincar!

muito bom. pra variar =)

besitas, pajonita. gosto muito de vir aqui no seu cantinho.

Luiz Carlos Cardoso disse...

Antonin Artaud, no seu clássico livro "O teatro e seu Duplo", descreve assim a cena metáfisica: "Digo que a cena é um lugar físico e concreto que pede para ser preenchido e que se faça com que ela fale sua linguagem cocnreta. (...) deve satisfazer antes de tudo aos sentidos."

Dalí tem, em suas telas, a expressividade maior de sua arte e de sua poesia. Suas palavras, Milena, preenchem o espaço carregado dessa linguagem concreta chamada amor, chamada dramática, chamada... Ah, de coisa boa, coisa que não se explica, é metafísica. É poema seu, é tela de Dali. Aqui...

Lindo, como sempre!

Bjos!

Renata Mofatti disse...

Ainda é cedo! Hora de procurar os brinquedos... É você, de fato, numa tela ou retrato brincando com as palavras e fazendo poesia... Seis anos e bem esperta essa guria...