quarta-feira, 30 de julho de 2008

Particularidades de Helena




Atirou o calhamaço de folhas rabiscadas à parede, irritada. Sofria de uma tristeza tão desgraçada, tão mal-feita e rascunhada, e negada, que às vezes se sentia feliz – profundamente. Por isso não padecia com beleza, nem era alegre de verdade. Logo perdeu a visão do vermelho. Quando o inverno chegou e os morangos estavam graúdos e acinzentados, sangrou um filete negro pelo nariz e nunca mais rimou nada.





12 comentários:

Ronni Anderson disse...

Que triste...
Que penumbra...

Sem rimas talvez, mas nunca sem cores e o encanto delas!
^^

Fernanda Barata disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda Barata disse...

Isso me lembra um livro do Julián Fuks que estou lendo, "Histórias de Literatura e Cegueira". E logo o vermelho desejo e paixão... Muito bom, Milena!

Marcelo Grillo disse...

Puxa, que triste. Parece o requiem de uma poetisa que se esvai... Perder as cores, a rima... Ó morte triste e dolorosa! - para nós, leitores. Quando uma poetisa se vaim o mundo perde um pouco mais da pouca graça que tem. Mas sei que és poeta, e apenas finges ser dor...

Renata Mofatti disse...

Não jogues fora papéis mal escritos ou desenhados... Eles são as promessas de melhorias, de rimas belas num outro estado... Estado de humor, estado sem dor!!!
Mas ainda bem que a falta de colorido não significa, propriamente, falta de belas letras !!! Parabéns, Paixão ...

nós disse...

a felicidade lúgubre da tristeza extrema. Cinza. Sem vermelhos

Marão disse...

pequenina...não rasgue assim as coisas não! vai juntando feito eu...juntando minhas tristezas e felicidades ( a dos outras também!!) em calhamaços de papel. em um desses papéis embaralhados a muitos outros tem um pedaço de música que diz assim "Sempre sobra pro poeta as dores que o mundo traz / sempre sobra pro poeta as dores que o mundo faz"
Não tem jeito...é o fardo

VaneideDelmiro disse...

Que esta seja apenas uma partícula de Helena...

Por que não ri como palhaço de tudo que o calhamaço amassou?
E por que não um nariz bem vermelho pra esse morango que acinzentou?
Às vezes é impossível fugir da dor, sendo mesmo importante senti-la até a última gota, mas também se pode transformá-la.

Aproveito esta postagem e agradeço a forma muito carinhosa com a qual comentou o meu último post.
Abraço!

Pablo Marques disse...

vlw pela visita lah .. vlw mesmo nossa o que vc escreve émuito bomm...muito bom mesmo
parabéns.... e...elisa lucinda é muito perfeita neh... nossa aquele poema lá eh um dos que eu mais gosto dela

Marão disse...

pras cucuias o "eu lírico!" rs

Alex Theodoro disse...

Como eu disse, tu costurou coisas díspares muito bem: dor, leveza, revolta e tranquilidade, utilizou uma linha vermelha pra isso tecendo tudo em um parágrafo.
Parabéns, cuide-se.

monicat disse...

"Quando o inverno chegou e os morangos estavam graúdos e acinzentados, sangrou um filete negro pelo nariz e nunca mais rimou nada"

parece alguém que eu conheço