sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sulla Rabbia




Lista delle cose che mi fanno rabbia:

Sgranare un dito nella finestra

Bruciare la mano nella pentola

Avere nella gamba una macchia viola

Macchiare la gonna più bella

Vederti insieme a "quella".


Ma l'odio... l'odio, no.

L'odio paralizza, fa la vita diventare un dolor.

L'odio oscura il giudizio.


Già, la rabbia, fa appena ciò:


Raccogliere il dito fra le labbra

Usare pomata invece delle piante

Rimettere gli spessi pantaloni

Provare la ricetta delle nonne

Deviare lo sguardo e proseguire avanti.


E soltanto questo.



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Essa belezura em italiano é uma versão feita pelo Marcelo Grillo, para esse poema aqui.


Ando bem devagar com as atualizações - mais que o de costume, rs. Por uns tempos ainda, vai continuar assim. Mas tem motivo bom: junto à editora Cachoeiro Cult, vou lançar meu primeiro livro este ano! Só tenho a agradecer a essa editora maravilhosa pela acolhida e o apoio que sempre me deram. Renata, Marcelo e Evandro, muito obrigada. Marcelo, um obrigada em especial a você pelo entusiasmo com que tem trabalhado nesse projeto. E Diego, obrigada por estar me ajudando com sua belíssima arte, que sempre admirei :)


Obrigada também a todos que visitam este blog, também são grandes incentivadores. Mas o melhor de tudo foi que me estenderam pontes e abriram portas para seus próprios mundos, o que me enriquece cada dia mais.


A cada um dos meus amigos tão queridos, um obrigada perene :)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre Nós

foto por Leandro Carmelini




É sempre a mesma história
Estampada nos rostos
Nas reentrâncias das mãos
Nas pintas dos corpos
E brotando pela aorta
Desde a invenção da roda


E da corda
(assim vai):


Num ponto escuro da corda
Entranhado no complexo de fibras
O hipocentro de um tremor
Atordoa lados opostos
Que de repente se aproximam
Se animam
Se enroscam
E seguem caminho
Pensando continuar cada um dele mesmo
Como sempre, sozinhos
Mas quem entende?
Se no âmago da corda
Ali, onde não se atina
Onde o início de uma ponta se dá
E a outra termina
Há algo explícito perturbando a calmaria
Da antes plana geografia:
Nós.
Mas é que a corda é comprida
Comprida de dar o dia
De atravessar noite, abraçar o mundo
Por isso esse desejo fundo
De tecer amarrinhas
Pra distrair um destino
Assim, tão retilínio
Tão certinho
sem sobressaltos.
Então, daqui até o último planalto
De uma à outra extremidade
São nós pra perder de vista
Nós que nos amamos
Furor no meio da reta
Cheirando a subversão
E nós que perdemos a graça
do apego, da comunhão
E somos somente aperto
Sem sossego, sem voz.


Pra esses últimos
Ainda resta o bálsamo
(mesmo que não venha veloz)
Da certeza universal
Provada e comprovada
Por aqueles que já viveram
Até a solidão mais atroz:
A de que pelo seu
E pelo meu bem
(é sempre a mesma história)
O tempo desata os nós.
O tempo desata-nos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ísis Maria



Eu sei que tem a Yolanda. Aliás, todo mundo sabe - aquela coisa de beldade da escola. Mas eu não gosto da Yolanda, não. Ela tem olho verde, e tem bem alguma coisa de traiçoeiro no verde daquele olho. Feito mar, verde-verdinho, mas mesmo assim não dá um nervoso de entrar nele e pisar num ouriço qualquer? Então. Mineiro, espero o ano inteiro pra ver o mar, mas quando ele se espalha naquela verdejice toda até onde a vista dá, me encolho e me benzo da cabeça ao calcanhar. Só aí entro. Eu hein. Besta é quem não respeita granditude assim.

Mas voltando à Yolanda, é isso que penso: olho que tem muita transparência de cor conta cada lorota de alma. Bonito eu não nego que é, não. Pois que é. Mas o que deve ter de ouriço debaixo daquele verde de Yolanda, nem sei, viu. Até porque, eita, metideza. Suspiros demais pruma pessoa só, chega a ventar quando ela passa. Ô. Tô jurando, rapaz!

E chega também dessa prosa que nem é dela que eu quero falar. Quero falar é de olho preto, que olho preto é que é mistério e chão firme ao mesmo tempo. Quer ver só, Ísis Maria tem olho preto. Preto mas tão preto que quando eu me perco neles, feito em dois buracos negros da galáxia de Andrômeda, é só ir logo pensando fixo que na verdade são duas jaboticabas maduras, coisinhas muito terrenas mesmo. Ísis Maria carrega todo dia, estampada na cor do seu olho, o breu todinho da alma, que é mesmo o que a alma é de verdade: fossa abissal - igual disse o professor de Geografia - de todos nós. Eu entendo alguma coisa ali de muito dela, mas só porque ela deixa. Ela não mente, feito Yolanda, mas com quem quer usa fácil o tal truque da jaboticaba.

Ah, eu gosto de Ísis Maria. O cabelo dela também é preto e grande e à mãe dela apetece fazer umas tranças tão bem trançadas que vêm ziguezagueando lá do alto da cabeça e eu fico só tentando acompanhar onde mecha entra e por onde sai. Faço isso na aula de Matemática. Ela nota, ralha, ô, menino abobalhado, prest'enção. É muito boa de cálculo, eu não.

"Cê aprende a fazer essa trança, Ísis Maria?"

"Mas por que?"

"Uai, bonito demais pras três filhas que a gente vai ter."

"Ê, menino besta mesmo, meu deus."

Vira de novo pra frente e sorri de lado sem eu ver, mas eu vejo. Suspiro por Ísis Maria, e é só um fiapo de brisa.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Re-pouso




Não sei não, mas ultimamente
Quando você me olha fundo e castanhamente
E quando me beija lento nos entrementes
De um abraço apertado
Dedos enlaçados
Carinho sussurrado,
Eu me inundo até as bordas de um algo
Que vivo lhe contando através de silêncios:
Um querer forte de ternuras
De você ser livre
Mas uma liberdade boa
Feito andar na praia sozinho
E sentir os ombros quentes de um sol ainda brando
Ainda amarelo-clarinho
Bocejando.
Um querer assim de você ser bom
De você exercer sempre essa gentileza
Que lhe existe aos montes, em tudo o que é tom
No de seu olho, de sua pele, de sua voz
E no branco do seu sorriso bonito.
O querer último
Declarado e infinito
É o meu bem-querer mesmo
De te querer tanto e sempre bem
Só pra prolongar essa gargalhada
Só pra você respirar maciozinho
Esses respiros bons da madrugada
Quando o sono é mais puro e pleno.

Porque você é feito passarinho
De asa crescida pro vento, o sereno
Que eu quero que voe alto, viva, ouse
Mas que depois pegue de novo o caminho de mim
E se achegue, mansinho, e descanse:
Re-pouse.


(02/12/08)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Poesia Musicada ("Aborto")

Foi então que ele tomou entre mãos ternas esse poema meu, o mais desiludido da vida. E o vestiu com sua música feito casaquinho bom de lã :)




Melodia de Flávio Marão.
Música apresentada durante o show do Balaio, na Casa da Memória.

Poesia aqui.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Alado



Segue correndo, moleque
Corre ligeiro, te apresse
Que a vida se pega na unha, moleque
Que a vida não exige breque
De menino assim, feito tu
De alma simples, pés nus
E corpo magrinho
Maciço.
Então, sebo nos cambitos
Voa, isso!
Que asfalto queima, areia ferve
Mas teu pé tem junta de liga leve
e quase não toca o chão inerte:
plana baixinho sem topar espinho
pedra pontuda, caco de vidro
desilusão e tristeza.
Ê, moleque, que proeza!
que beleza esse teu pé de foguete
de asa de beija-flor, pé-de-vento
mudando paisagem em dois tempos:
Bagunçando com gosto as beirinhas da praia
Ventania da boa pra levantar saia
E poeira embaçando a visão da menina
Que nem chega a ver quem some na esquina
E nem atina
Que tinha asas nos pés que passaram zunindo
E que dentro do moleque todo dia é domingo
Cheio de importâncias por fazer:
Comer a vida no miolo da goiaba catada
Empinar vida de papel-seda
O mais alto que dê.


Noite alta já, moleque se deita
Guarda as asinhas de pé
numa garrafa com rolha
e sorri porque vai ter amanhã
(arvorinha cheia de escolhas)
e o cheiro conhecido
de domingo novo
verde em folha.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Respostas







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(a algumas páginas d'O Livro das Perguntas, de Pablo Neruda)