quinta-feira, 24 de abril de 2008

Apelo



Devagar com o andor
Que minh’alma é de dormideira
Ela se fecha em dor
Às vezes, eu queira ou não queira
É que é uma falta de cores
Anteriores
Uns dissabores
Que quase nunca aparecem
Mas que reconhecem
Tom de voz diferente
As pontas dos dedos, quentes
E zupt!
Vêm correndo à tona
Fechar-me toda em medo
Como se eu fosse brinquedo
Que se monta e desmonta.
Mas se tiver paciência
Ciência
Jogar fora o relógio
Inventar um tal ócio
Desmarcar compromisso
Faça mesmo só isso:
Fique
Fique com seu tom de voz
Com sua vontade
Faça assim, deixa ir tarde
O nosso deixar estar.
Fica o tempo que for
Deixa eu me acostumar
Deixa que eu abra minhas folhas
Uma a uma, bem devagar
E entenda, só de olhar
Que eu não sou santa,
Nem doidivana:
Sou planta.
Então seja feito menino pequeno
Com livro de Maurice Druon
Deitado sereno na rede
Dê-me seus olhos, seu ar, seu som
Chuva fina e sonho bom
Menino do dedo verde.

6 comentários:

daniela disse...

Minh'alma também é de dormideira sem dúvida alguma... alguns amores outros dissabores!

Coisa linda de ler isso aqui estrelinha.
Quando cê escrever um livro autografa pra mim e quando for assinar, assina "estrela".

;)
Quis tanto comentar aqui que até abri mão me esconder. ;*

Fernanda Fassarella disse...

Ahh... que suave...
Dormideira que sou, adorei!

Gente! Quero ler todos...
Mas vou com calma pra saborear cadaum!
Beijo

Marcelo disse...

Sou Mestre em Solos e Nutrição de Plantas, mas nunca imaginei uma poesia assim...

Abraço!

Renata Mofatti disse...

Um pouco ostra, um pouco dormideira... Um pouco quina de carambola.

Se mostra, se esconde, faz do sonho quase um pesadelo. Se fecha em folhas verdes e os olhos do menino curioso se abre no melhor APELO!

Pedaços de Mim disse...

"Dorme, dorme, dormideira... pra acordar segunda-feira...". Mas, às vezes, a alma adormece e se esquece de que a vida é a semana inteira. E quem há de acordar uma alma preguiçosa?

Rubens Antonio disse...

Bela homenagem à Humanidade da "Minosa pudica"... Nome científico da dormideira... Quanta delicadeza... Provoca uma sensação... Leio como vc tivesse escrito com voz baixa, como quem confessa, olhos arregalados, como que flagrada, e um sorriso prestes, como quem sabe.
;o)